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  • Foto do escritorEditora Pedregulho

Análise do poema "Respiro a Danação"

por Arthur Corrêa Sobrinho



O poema "Respiro a danação" aborda a dinâmica de poder entre aqueles que detêm o controle e aqueles que estão sujeitos a ele. A primeira estrofe apresenta a ideia que a liberdade é conquistada às custas dos que são oprimidos. O eu lírico se encontra sem a "lira", um símbolo da expressão artística, indicando a limitação de sua liberdade de expressão. No entanto, embora mudo, ele não está cego para as injustiças presentes no "corpo colonizado", referenciando a uma pessoa ou a um povo dominado por outro.



Na segunda estrofe, "homens de bem" são mencionados, sugerindo aqueles que se consideram virtuosos e respeitáveis na sociedade. Sentados em suas cadeiras de poder, eles definem a interpretação dos eventos e situações, impondo suas visões e perspectivas sobre os outros. A expressão "vida ambígua" aponta que vivem de forma confortável, alheios aos problemas enfrentados pelos colonizados.


"Muitas vozes" refere-se à multiplicidade de perspectivas, experiências e histórias que estão presentes, mas muitas vezes são marginalizadas ou silenciadas. O poema sugere a necessidade de "apurar os ouvidos", ou seja, estar atento e aberto para ouvir essas vozes diversas e compreender suas experiências.


"Abaixa do volume do som" pode ser interpretado como um convite para diminuir o barulho ou a influência do discurso dominante, que muitas vezes é imposto pelos colonizadores ou pela classe dominante. Isso implica em dar menos importância às narrativas hegemônicas e privilegiar a escuta das vozes marginalizadas ou oprimidas.



A vida é personificada como suspirando, despontando a um desejo de alívio ou um anseio por mudança. No entanto, essa vida também está sujeita à "danação colônia", o que indica uma condição de sofrimento ou opressão.


A última linha, "minha voz", é isolada, significando que sua voz é reprimida ou ignorada na colônia.


Vale a pena ressaltar que estrutura do poema contribui para transmitir o significado por meio de uma disposição visual e espacial.


A primeira característica notável é a disposição desalinhada e irregular das linhas e palavras, criando uma sensação de fragmentação e desordem. Isso reflete a falta de coesão e harmonia na realidade retratada no poema, onde a liberdade é conquistada às custas dos oprimidos.


Além disso, a disposição das palavras e frases espaçadamente e com pontuação mínima contribui para a sensação de caos e confusão. As pausas e os espaços em branco entre as palavras deixam uma atmosfera de vazio e falta de clareza, ecoando a opressão e a falta de liberdade.

A separação das palavras "vida (suspirando)" e "danação colônia" em linhas isoladas enfatiza esses elementos centrais do poema. A pausa entre as palavras destaca a carga emocional dessas expressões, a angústia e o sofrimento da vida sob a condição colonial.


Em suma, o poema aborda temas de opressão, descontentamento e luta por liberdade. Ele expressa a angústia da vida em uma “colônia”, além de destacar a importância da voz individual e a necessidade de resistência e libertação.






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Arthur Corrêa Sobrinho nasceu em Vitória, em novembro de 2006. Fascinado por literatura e escritor de contos e poemas nas horas vagas. É estudante na rede pública de ensino - EEEM IRMÃ DULCE LOPES PONTE. Esta análise do poema Respiro a danação foi escrita por Arthur em parceria com Fernando Silva Tassinari, nas disciplinas de Literatura e Vida social e Empreendedorismo e Produção de Conteúdos de Mídias Digitais da 2ª série do turno vespertino, com orientação do professor Renan Peres.


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